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13 de fevereiro de 2012

guerrilheiras 1

Chelo com a sua família, antes do golpe de estado do 36
 para mim foi um orgulho participar naquela luita e nunca renego do meu passado nem me nego a falar daquilo. naquel tempo às mulheres que andavamos com guerrilheiros chamavam-nos putas. eram os fascistas e a guarda civil os que diziam isso: "as putas dos roxos, essas estám fodidas polos roxos", dizia o cartón aquel do quartel de ponferrada, quando estavamos várias moças de guerrilheiros. é algo que nom admito. as guerrilheiras eramos como todas as mulheres e nada tinhamos que ver com a imagem que tinham de nós: apaixonavas-te por um guerrilheiro como podias apaixonar por outro homem. eles eram honrados. entre nós havia muito respecto e nunca che diria um guerrilheiro uma palavra que ti nom quigesses escuitar. por outra parte, nós sabiamos qual era a nossa luita. eu era dona dos meus actos e nom tinha que dar explicaçons a ninguém. a sociedade daquele tempo nom nos entendia. 
consuelo rodríguez lópez, chelo, cujo testemunho recolhe aurora marco na obra mulheres na guerrilha antifranquista galega, 2011.

5 de janeiro de 2012

ponto escondente

o ponto escondente na olhada de hortensia fernández
este ponto é tam útil como invisível. é aquel que serve para cerzir remendos, para ocultar nódoas ou reparar roçaduras. a arte está em passar o fio por entre as febras do tecido, por entre a trama, para que desde o exterior nom seja visto.
quase todos os trabalhos das mulheres tivérom lugar na clandestinidade, nom por ilegais, mas por nom-vistos, por ocultados. muitas das estórias protagonizadas por mulheres o fôrom portas adentro da casa, do cárcere. e boa parte do seu labor em pro da causa comum, da res publica, negado ou desvalorizado. 

para que um homem participasse numa guerrilha e libertasse um povo
para que um homem descobrisse a lei de gravitaçom universal
para que um homem escrevesse o melhor romance da história
para que um homem estudasse a estrutura fina do sistema nervoso central

uma mulher cozeu pam, coseu roupas, atendeu as crianças e os doentes, lavou  a colada, lavrou os campos, organizou as despesas, teceu o enxoval, deu apoio e aguentou as visitas. ás agachadas. sem lugar nas enciclopédias.

3 de janeiro de 2012

ao voo do papagaio

O bairro do papagaio numa das fotografias de maribel longueira

poema escrito após a leitura/visionado do livro e da exposiçom o papagaio, de maribel longueira e luisa villalta.

partindo das fotografias da primeira, feitas no bairro do papagaio da crunha antes da sua demoliçom, luisa villalta escreveu os poemas e, a duas mãos, construírom um livro que devorei lentamente, oxímoro palpável. o bairro do papagaio vinha a ser o equivalente ao bairro do pombal compostelám, é dizer, o bairro das putas. 

as putas estám muito mal vistas socialmente, mas a nível individual, entanto pessoa dedicada á prostituçom, porque entanto grémio, também é certo que uma grande maioria as considera necessárias. como, se nom,  tantos homens vam libertar os seus instintos instintosos e inevitáveis? ao terem uma utilidade social, sobretodo de controlo social, ajudando a manter a hipócrita instituiçom familiar (desafogamos a libido nas traseiras para deixar tranquilas as varandas), som aceites mentres se mantenham escondentes e dêm lucros econômicos, meretrizes plusvalias.

nom acontece o mesmo com as mulheres que se negam a ter crianças. admitir publicamente que uma nom quer ter filhos é expor-se a ser marcada como antinatural, pouco mulher, egoísta, rara, libidinosa, má e, finalmente, puta.  

enfim, no fundo, a mesma cousa.

14 de dezembro de 2011

campo de refugiadas

o poema é tal qual o quadrinho inferior esquerdo...
 poema nascido desta página do livro palestina, de joe sacco.

e que comparte filosofia e ideologia com esta maravilha de rafeef ziadah, رفيف زيادة:

10 de dezembro de 2011

lavandeiras da noite

um romance tradicional, recolhido ás portas da casa, popularizado por fuxan os ventos:



um disco: la sal de la vida. uma versom fermosíssima, da mão de uxía, maría salgado e cuchús pimentel. e uma explicaçom da letra que me abriu os olhos:
recolhida em 1904, responde à tradiçom galaico-portuguesa das lavandeiras nocturnas, almas em pena, eternamente condenadas a lavar os ensanguentados panos da criança cuja morte provocavam mediante abortivos ou esganando-a no berço
a literatura de tradiçom oral dando voz àquilo que a norma social acala, e pondo em relaçom as mulheres do aquém com as do além-mar... por isso retomei o romance para tratar o tema do aborto.

e o tema da lavandeira retomado por lenine: