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26 de dezembro de 2012

aquiltadas em compostela 2

as companheiras da estaleiro editora tivérom a bem gravar e editar um vídeo que recolhe toooooda a apresentaçom de aquiltadas na livraria couceiro, em compostela. se queredes saber algo mais deste poemário, podedes escuitar-nos aqui. se só queredes escuitar poemas, ide direitinhas à parte III:



11 de dezembro de 2012

aquiltadas em compostela

patchwork em santiago de compostela

esta quinta, 23 de dezembro, ás 20.00 horas, estaremos na livraria couceiro para falarmos de aquiltadas e fazer, se a tarde o permite, um pequeno patchwork de poemas...
acompanharam-nos ao poemário e a mim vítor suárez, por parte da estaleiro editora, e hortensia fernández, ilustradora do livro.

a imagem é duma instalaçom de luz darriba e tirei-na de aqui




26 de fevereiro de 2012

ponto historiado

as mulheres na história à vista de hortensia fernández

é o historiado um ponto básico, pois serve de molde e imitaçom para outros pontos mais singelos. mas tem uma dificuldade: acompanha a sua escassa presença no mundo do tecido da exuberância decorativa. nom é muito habitual, porém adorna imensamente, o qual faz que pareça mais frequente do que na realidade é.
 
a primeira mulher que lembro conhecer na escola entanto mulher importante foi madame curie. lembro-a numa dessas leituras que fechavam tema no livro de sociais. e lembro ter ficado surpresa de que uma mulher pudera ser cientista! a outra que lembro, por suposto, rosalia.
porém, as duas tinham um pero: eram senhoras de... madame curie era a esposa e ajudante do doutor curie, o autêntico, nom uma maria skłodowska autónoma e como ideias próprias. e rosalia aprendim-na, ademais de um algho choromica, como a esposa do insigne murguia, que ás noites na cozinha botava-lhe um anda, mulher, escreve algumha dessas coisinhas tam jeitosas que escreves e ela lá o oferendava com uns versos.

realmente, nom aprendim nenguma mulher importante que valesse de modelo a seguir até saber de lidia senra, líder durante anos do sindicato labrego galego. a ela devo-lhe ter sido a primeira da que eu soubem sem homens de por meio. com o engadido de ser ela galega e contemporánea. num mundo no que só conhecia políticos, sindicalistos, chefes, presidentes e conselheiros agromou lidia senra, mandando sobre uma cheia de homazos sendo mulher e mais bem pequeneira. e por primeira vez vim a realidade representada tal e como eu a vivia.
porque no meu entorno eram as mulheres as que levavam as vacas, polo que o lógico seria que uma mulher dirigisse um sindicato agrário. só que o lógico nom era o real. em todas as casas da redonda, entanto o homem tinha um trabalho assalariado fóra, a mulher fazia-se cargo da gestom do gado, do leite, das leiras. quando eramos crianças era a nossa nai a única que nom sabia conduzir. a  imagem que eu tinha das outras mulheres da aldeia era a da bata cruzada, pano negro ao vento a bater como bandeira e o saúdo com a mão mentres guiavam o john deere polas pistas para abrir caminho à semente, carregar pacas de erva ou tojo e desbroçar o monte.
lídia senra foi a primeira mulher líder da que eu soubem e foi a que me fez pensar que igual faltavam muitas representantas da realidade quotidiana na esfera pública.

casualmente, estas três mulheres nom tenhem poema próprio nas aquiltadas. por isso as traio hoje aqui.

28 de janeiro de 2012

ponto sufridoso

o sufrimento visto por hortensia fernández

o ponto sufridoso nom é possível sem dor. o fio, de la algodom seda, tanto tem, precisa de tanta tensom para que dê um bom fim, que acaba por machucar os dedos que o trabalham. quando nom os lacera. por vezes, acabas por nom sentir as mãos, depois duma tarde de labor.
este ponto há que diz que é básico para a elaboraçom dos tecidos, mas na realidade, sempre há outros alternativos que nom torturam o corpo da que ganduja.
a resistência ao sufrimento é algo que ás mulheres nos é suposta. e nom deixa de ser certo se atendemos à história que nos precede e à realidade que nos envolta. certo é que som milhões as pessoas que no mundo sofrem, mas também é certo que há sufrires que só afectam ás mulheres ou que a elas afectam exponencialmente:
  • os maus tratos e a violência de gênero
  • o asédio sexual
  • a tranformaçom do lar num cárcere
  • a mutilaçom de órgãos sexuais
  • o distinto valor da nossa palavra perante a lei
  • os casamentos obrigados mediante dote
  • a obriga social de parir ou abortar (aseghum a moralidade do concebimento)
  • a discriminaçom e remuneraçom desigual no trabalho
  • ...

as estatísticas indicam que uma de cada três mulheres seremos vítimas da violência quando menos uma vez na vida: disso fala o ponto sufridoso.

21 de janeiro de 2012

ponto fabuleiro

hortensia fernández veste assim o ponto fabuleiro

a fibra que melhor senta a este ponto é a imaginaçom. como dá um tecido mesto e espesso, é habitual utilizá-lo para prendas de abrigo. quando a realidade é fria e hostil, nada melhor que tirar da fábula para proteger-se da congelaçom. a chave para que este ponto dé bom resultado é gandujá-lo ao tempo que escuitamos estórias, vemos umha boa película ou atendemos á letra duma cançom.
no ponto fabuleiro acolho dous tipos de textos.
  • por uma banda, reviso ou ad(a)opto personagens literárias femininas que fam parte do nosso imaginário colectivo, e que muitas vezes servírom de modelo na nossa educaçom. eram as mulheres que (nom) tinhamos que ser: a cinsenta, a branca de neve, a carapuchinha, a bela adormecida, as bruxas...mas também as boas e as más das tele-novelas, as lara croft, as sereias, as mouras, as deusas gregas e as virgens cristãs. de muitas delas aprendemos uma versom burguesa e disney a ocultar uma outra imagem da mulher mais heterogênea e varia.
  • por outra parte, seguindo as teorias de ria lemaire, dou acolhida neste ponto fabuleiro, a gêneros femininos da literatura de tradiçom oral, que com o tempo fôrom engolidos pola literatura escrita, desprezados pola alta cultura (masculina, claro), ou mesmo desaparecidos: os contos populares narrados ao pé do lar, a cantiga de amigo, o canto de berce, a adivinha, as sortes e rezas, os cantares do romanceiro, os cantos de labor, etc.
claro que, este ponto é o mais fácil de combinar com qualquer outro, polo que na realidade, recorre todo o poemário aportando calidez aos outros pontos utilizados.

5 de janeiro de 2012

ponto escondente

o ponto escondente na olhada de hortensia fernández
este ponto é tam útil como invisível. é aquel que serve para cerzir remendos, para ocultar nódoas ou reparar roçaduras. a arte está em passar o fio por entre as febras do tecido, por entre a trama, para que desde o exterior nom seja visto.
quase todos os trabalhos das mulheres tivérom lugar na clandestinidade, nom por ilegais, mas por nom-vistos, por ocultados. muitas das estórias protagonizadas por mulheres o fôrom portas adentro da casa, do cárcere. e boa parte do seu labor em pro da causa comum, da res publica, negado ou desvalorizado. 

para que um homem participasse numa guerrilha e libertasse um povo
para que um homem descobrisse a lei de gravitaçom universal
para que um homem escrevesse o melhor romance da história
para que um homem estudasse a estrutura fina do sistema nervoso central

uma mulher cozeu pam, coseu roupas, atendeu as crianças e os doentes, lavou  a colada, lavrou os campos, organizou as despesas, teceu o enxoval, deu apoio e aguentou as visitas. ás agachadas. sem lugar nas enciclopédias.

3 de janeiro de 2012

ponto costuroso

o ponto costuroso rendilhado por hortensia fernández

um dos pontos mais complicados de urdir, pois há de servir para arranjar e para criar, para cerzir e para bordar. tem a qualidade de invisível mas imprescindível. tende á desapariçom, arrasado polo velcro, a cola e outras modernidades.
escrevendo um livro com estrutura de colcha de retalhos, havia de ter um apartado dedicado em exclusiva aos trabalhos do tecido e a costura. fòrom estes, por tradiçom e história, labores femininos. 
eram as mulheres da casa, nas noites de invernada, as que trabalhavam a lã, o linho, o esparto e qualquer outra fibra para fazer delas vestimenta. 
eram elas que aprenderam (e provavelmente descobriram) a arte da tingidura. 
e elas passârom, de geraçom em geraçom as diversas castes de calceta, rendilhado, crochet, bordado, patchwork, etc. que vestem as nossas pessoas e os nossos lares.

2 de janeiro de 2012

ponto afamadeiro

o ponto afamadeiro visto para o livro por hortensia fernández

este ponto nom tem muita complicaçom: atiras do fio das mulheres que neste mundo grande fama tivêrom. desenguedelhas as informações falsas, dás-lhe uma volta virada ás informações ocultadas e passas, cada três pontos, uma dúvida para o direito.

as mulheres que a nós chegárom, através do fio da história, o figérom vistas de óculos deformados polo poder e o patriarcado. a imagem que delas temos, em muitas ocasiões, é uma imagem corrompida, por adoçada, por moderada, por atenuada, por amansada enfim. 
o ponto afamadeiro busca revis[it]ar a figura dalgumas destas mulheres, introduzindo, com a homenagem a parte delas, uma versom diferente da sua estória.